Não é segredo que o
espetáculo esteja imbricado nos diversos seguimentos da mídia, entre ele o
jornalismo. Todos os dias as pessoas veem fatos se tornarem shows. Se uma
celebridade vai à rua para fazer uma caminhada, diversos sites e programas de
entretimento dão um destaque considerável para um ato tão corriqueiro mas, se
feito por alguém que está no mundo da fama, logo ele ganha contornos incríveis.
Até esse ponto, estamos acostumados com
essa perspectiva da pouca ou quase nula vida privada do ator, cantor (a) ou
outras celebridades, mas o que se quer discutir aqui chega a um tipo de
discussão capaz de alcançar níveis sociológicos e de discutir a ética no campo
jornalístico. Certamente, você já ligou a sua TV e se deparou com uma sequência
de notícias que anunciam a barbárie, personificada em assassinatos, estupros,
roubo e espancamentos. Isso não deixa de ser uma realidade, mas será que a
forma como algum desses programas procuram explorá-la é realmente tem o fim de
prestar um serviço para a sociedade?
Quando é comprada a
ideia da “violência” pronta para ser um produto, com forte potencial para
despertar um nível elevado de audiência, é preciso refletir sobre a onda de matérias que possuem o crime como
enfoque principal. Antes de qualquer coisa , é necessário recorrer a um aspecto
primordial do jornalismo: o de que ele cumpre um papel de voz para a sociedade.
O que ele noticia e discute diariamente deve levar uma noção mais conscientizadora para
as pessoas. Mesmo que a prática, em sua amplitude, reflita no prevalecimento da
lógica de mercado, se quisermos um jornalismo mais são e socialmente
contribuinte, deve seguir , ao menos, parte dessa vertente.
Claro que o mercado, embasado na sede pelo
lucro e guiado pela perspectiva capitalista, impõe uma maneira altamente
sensacionalista, desprovida de uma preocupação com a busca de soluções com um
problema que só cresce e assombra todo r
qualquer cidadão de bem. Ao invés dessa sede de fazer da tragédia um
espetáculo, poderiam fazer-se mais presentes no sentido de cobrar autoridades
públicas. Essa, sim, seria uma forma de correr atrás de algo que beneficiasse a
população. Por mais que o público se
envolva com essa atmosfera – que faz de atos violentos uma forma valiosa de arrecadar ibopes – ele
acaba sendo o grande “perdedor” de toda essa história. Enquanto permanece
embevecido por realidade espetacularizada, os programas, sites ou blogs que o
promovem se convencem de que estão cada vez mais certo em investir nesse tipo
de conteúdo.
Por mais que seja uma triste constatação,
esses tipos de programas jornalísticos, sintetizam a realidade de que mais vale espalhar o medo
do que informar ancorado em um prisma mais social. Dessa maneira, a foto ou
imagem de um indivíduo que foi brutalmente assassinado ganha status de
“valiosa” em certas redações. Essa é a corrida pelo trágico; pela desgraça e o
sangue. Qualquer principio ético passa longe. Para que lembrar isso nessas
horas. Dizem alguns que isso é um papo que fica na academia e que, na vida
real, a história é outro. São pensamentos esses assim que omite o jornalismo (
salve suas exceções) de ser muito mais parceiro social. Toda a ânsia de
explorar o sangue derramado, no fundo, só faz da cobertura da violência, em um
canal de lucros. Perde – se a noção de debater o problema com a finalidade de
se atingir um viés social e crítico para adentrar nos meandros de uma frenética
fonte de espetáculo.
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