Com muito Luxo, brilho
e vibração a Beija-Flor de Ninopolis faturou mais um título do Grupo especial
das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Até aí parece que não há nada de anormal.
Afinal. vemos um evento onde desfilam
alegorias caras, pilares de um desejo de alcançar o topo do badalado carnaval
carioca. Por trás de toda a festa, patrocínios que tornam o sonho possível
derramam altas quantias para tornar uma agremiação campeã. Isso não é segredo
para ninguém, nem também o fato de que a natureza dinheiro nem sempre é das
mais bem vistas. Dessa maneira, ditador e presidente da Guiné Equatorial Teodoro
"Teodorín" Nguema Obiang – simpatizante do Glamour
da Sapucaí-, escolheu as cores para as quais iria torcer e resolveu dar uma “ajudinha”
de 10 milhões de reais. Pode ser muita coisa para você ou tantos outros, mas
para ele são apenas trocados, visto que ( de acordo com a Forbes) é um dos 8
governantes mais ricos do planeta.
Até então, pouco se
sabia sobre a Guiné Equatorial. Quase nada se via sobre os absurdos que, há
anos, acometem o país. Nem mesmo sabiam que a sua população é predominantemente
rural ou que a sua expectativa de vida é de apenas 52 anos. Disse neguinho da
beija- flor que esse pedaço de território africano é próspero. Mas que
prosperidade é essa? Um presidente governa há 35 anos ininterruptos; trata seus
opositores com total opressão; não para de enriquecer enquanto a população fica
afundada em uma miséria, e ainda acham que esses são sinais de avanço? Quisera a
Guiné da vida real fosse a que foi mostrada na avenida, tão viva, a ponto de
ser exaltada. Mas a realidade possui tons tristes demais, que em nada combinam
com a beleza do carnaval.
O cenário não é o de
querer culpar uma escola de samba pelos desmandos que podem acometer uma nação,
mas, pensem bem, o quanto vaidosa é a mente de um ditador que quer vender , a qualquer custo, uma imagem
que o lugar que ele governa não tem. Doar milhões para a o carnaval, pode. Só não
vale investir na melhora de um povo. Manter um governo por mais de três décadas
parece ser o alicerce perfeito para quem
mesmo, quando morrer, pretende que o poder fique com os seus filhos. Nada disso
lembra a magia e a suntuosidade da passagem de uma escola de samba pela avenida
. Como plano de fundo, viu- se a ficção, a Guiné Equatorial que os
carnavalescos projetaram.
E tão assustador e. ao
mesmo tempo, tão normal é o fato de que patrocínios como esses sempre vão
agraciar não somente a Beija- Flor, mas também tantas outras escolas que querem
apenas nutrir o desejo de um título. Nesse contexto, a Guiné, cantada em um
enredo foi digna de uma aproximação da perfeição, de acordo com um corpo de Jurados.
Por outro lado, a Guiné equatorial da vida real tem, em suas avenidas , o
desfile da ditadura, com direito as alas que representam a pobreza e a
crueldade que anos de um regime brutal vem gerando. Bem na praça da apoteose, está o seu presidente que, ao longo de 35 anos,
segue reinando. Em terras brasileiras , seu patrocínio foi convertido em um
desfile que mostrou um pais desenhado a partir dos delírios carnavalescos, Tudo digno de uma brilhante ficção Hollywoodiana .