Antes de discutir qualquer
punição para o Corinthians, desde o pagamento de uma multa ou a
eliminação da Libertadores da América ,é preciso abrir os olhos e encarar mais
um duro golpe e tragédia ocorrida dentro de um estádio de futebol.
Infelizmente, tragédias costumam acontecer pelo acúmulo do descaso que já dura
muitos anos. E, se tratando da competição mais importante do
futebol sul-americano , já não é novidade que uma péssima organização sempre
acaba culminado em um sério risco para quem está envolvido diretamente nela. A
morte do garoto Kevin Beltran, de apenas 14 anos, é o estopim dessa série
de fatos graves que acabou se deparando com o seu pior e mais doloroso episódio
Independentemente se o
torcedecor teve intenção ou não de jogar o sinalizador na torcida do San Jose,
o que fica mesmo é o desejo e o dever de que as autoridades cumpram o papel de
punir esse individuo para que ele pague por sua irresponsabilidade. Não
há paixão por time algum ou qualquer outra razão para justificar uma atitude
capaz de tirar uma vida. Por mais que nada traga de volta essa criança, com o
seu sorriso e tantos sonhos , a justiça precisa ser feita. Algo precisa mudar
para que aprendam que, no futebol, bonito mesmo é torcer em paz, não ir
para um estádio com um sentimento alucinante que, de tão, desmedido,
chega a ser bruto e absurdo.
Caso esse acabe se tornando
mais um dos assuntos que , no começo, são muito discutidos mas que depois
acabam caindo no campo do esquecimento, continuaremos vendo a violência, as
armas e muitos inocentes morrerem de uma triste forma. É fundamental não
fechar os olhos para quem paga com a vida por ser atingido com um sinalizador;
para quem é espancado por estar com a camisa de um time adversário; para
quem integra grupos que afastam quem tem vontade de ir a um
estádio, mas , por medo , prefere ficar em casa.
Libertadores é raça e
garantia de ida para o mundial de clubes, mas também é um show de falta de
civilidade e atos cruéis. Trata-se de um circuito de riscos para quem vai
torcer honestamente, jogar ou trabalhar de outra forma. Quem a acompanha sabe
que uma tragédia mais cedo ou mais tarde aconteceria. Dessa vez, infelizmente,
foi mais do que garrafas atiradas ao campo. Dentre tantas notícias e
especulações de culpa , resta para uma família encarar a dura realidade de que
uma criança não voltará mais para continuar a vida que ele deixou aqui.