segunda-feira, 2 de abril de 2012

Muito mais que o brilho do chão rachado





  Já não é novidade, desde os tempos mais remotos, aqueles de quando o Brasil possuía um forte desconhecimento geográfico das lugares que os cercavam, o nordeste tem sido estigmatizado como uma região pobre, seca, marcada pelo sofrimento e a fome. Infelizmente, há lugares, nesse vasto sertão nordestino, em que mal se encontra água para matar a sede uma vaca. Mas será que a região que já foi tantas vezes decantada nas músicas de Luiz Gonzaga, é apenas um pedaço do Brasil calcado pelo sofrimento? Será que a pobreza é tão grande assim?  Quanto mais vemos imagens na grande mídia e personagens de novela que simbolizam o paraibano arcaico e analfabeto, mais nos deparamos com uma triste e lamentável forma de preconceito.
         
Nós, nordestinos, nunca somos lembrados pelas coisas boas. Preferem dar mais amplitude para a imagem do chão rachado e do sertanejo que, de tão desinformado e abandonado pelos poderes públicos, acabam pintando a imagem que o resto do Brasil quer ver. A imagem de uma suplica por um prato de comida e a expressão de quem parece sem rumo e destino, neste mundo. De tanto mostrarem só o que temos de ruim, as novelas, com nordestinos, acabam rendendo interpretações de pessoas ignorantes, de português de pronúncia ruim e que não cansam de contar histórias e mais histórias dos tempos de pura miséria nortista.

Em Pleno Século XXI reproduzem cenas de cortejos de defuntos que estão sendo conduzidos em uma rede. Como se na pudéssemos dar sepultamentos dignos para nossos entes queridos. Falam até que de tanta seca, o nordestino come. Alguém que se encontra assistindo o que se vê na tela, pode acreditar e aumentar seu grau de descriminação com relação ao nordeste.

  Atacam-nos através de redes sócias, televisão e outros de comunicação. Por sorte temos quem nos dê valor e, acima de tudo, devemos ter muito mais orgulho do que somos. O brilho do Chão rachado não é tudo que se vê nesse  nordeste tão forte e imponente. Belezas naturais são muitas. E há todo  o prazer e satisfação de declarar que fazemos parte de uma região que contribuiu e contribui para a construção deste país, como nenhuma outra jamais fez.