sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O Metal não é só barulheira

Não é meu gênero musical favorito nem me desperta tanto interesse ou, pelo menos, não me despertava até ver com mais atenção as atrações do Metal que se apresentaram nessa edição do Rock in Rio. Quem é metaleiro já carrega consigo uma série de estereótipos que a sociedade se acostumou a distribuir. Malucos, fanáticos... realmente não parecem faltar definições. Mas, se quer saber, eles parecem que não estão nem aí para tudo que dizem oi deixam de dizer. O que vale mesmo é ser fiel ao toque mais pesado da guitarra e aquelas letras que, em um primeiro olhar parecem ser incompreensíveis. Inclusive em shows como o da consagrada banda "Metalica" cheguei a ler frases como as do tipo: "Metalica está fazendo o melhor show do Rock in Rio, mesmo que eu não esteja entendendo o que eles estão dizem, Pode mesmo não acontecer uma compreensão imediata, porém é difícil não sentir a energia e atmosfera agitada que envolve um show metal. Você pode não saber o nome de nenhuma música ou estar assistindo simplesmente por que trata - se do Rock in Rio e por tanto, você não quer perder nada dele. que, mesmo assim, ainda haverá um envolvimento inexplicável.

Vejam o meu exemplo: no dia do show do Metlica eu até pensei em dormir. Sim, dormir, por que estava julgando que aquilo não me interessava. Queria mesmo era ver uma balada que não fosse tão agressiva.  Ainda bem e graças aos deuses da música , eu, de de repente, me vi assistindo aquele show tão diferente de outras coisas que eu já tinha visto. Aquela guitarra incontrolável parecia emitir um convite para ficar em frente à Tv até sabe lá que horas da madrugada para ver e ouvir uma das bandas com uma das trajetórias mais mais respeitáveis do Metal. Foi inevitável pensar a sensação  de quem estava lá, em frente ao Palco Mundo , numa onda de incrível adrenalina.  Sentindo uma música extremamente forte. Em minha análise, mesmo que não tão rica de conhecimento, percebi que, numa situação como aquela, as emoções  eclodem como se fosse um verdadeiro vulcão. Tudo converge em uma ultrapassagem do conceito de que é uma música que ninguém sabe o que quer dizer. Não, está longe de apenas isso. É algo muito mais significativo.

Não é nada contra outras atrações como Beyonce, mas o Metal é quem ainda é capaz de trazer algo diferente para o Rock in Rio e outros festivais. Parece uma fuga daquele lugar comum, onde já se sabe a ordem dos acontecimentos. Trata-se de uma quebra da normalidade  e do que é rotineiro e previsível. Talvez, seja por isso  que algumas  pessoas prefiram enxergar o metal, muito mais mais por seus estereótipos do que pela qualidade e poder de expressão que ele é capaz de emitir. Bom mesmo é você parar e prestar atenção. Muito da sua visão tão  adaptada com velhos rótulos se esvair. É como sair da sua zona de pensamentos inabaláveis e pensar " Caramba, a coisa não é totalmente como eu penso, os caras representam algo. Eles cantam e são capazes de expressar uma energia como poucos". É sempre bom conhecer melhor o que, por um motivo ou outro, aprendemos a marginalizar.


E não é que você, de uma para outra , deve começar a ouvir o Metal. Nem tenho poder pra determinar o que os outros devem gostar ou não, só quero mostrar a importância de não ficar preso a uma ideia tão bitolada , quando o assunto for as bandas que fazem o que muitos insistem em ver como uma barulheira. Devemos enxergar os metaleiros para além do conceito dos caras que se vestem do preto e gritam febrilmente. Se percebermos que por trás daquela pancada de guitarra, existe uma forma de expressão e uma incrível junção entre palco e plateia, o ângulo será mais amplo e condizente com uma mente que seja mais aberta que preconceituoso.


Até quando o Metalica ou Iron Maiden vão ter energia suficiente para fazer seus shows, não se sabe. No mais, se ontem o autor deste post enxergava o Metal de uma forma, hoje ele vê de uma forma muito diferente, com respeito e mais lucidez. O metal está mesmo para além d definição de um barulho e da incompreensão. É um modo de agir e pensar e uma identidade que, agrade ou não, segue encontrando força total para existir.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Um outro julgamento

Quem sou eu para discutir com total discernimento a função de cada lei ou para ficar condenando  a atitude um ministro que, com um único voto, resolve realizar um outro julgamento para o caso de corrupção mais grave da nossa política. Continuo me perguntando até lembrar que sou um cidadão sujeito ao pagamento de impostos e ao " poder" do voto em cada sagrada eleição. O cidadão mais simples, pode não ser nenhum advogado, promotor ou juiz., mas ele ainda tem a capacidade de se indignar; de continuar querendo entender por que por aqui sempre se tem essa mania de beneficiar o infrator. Lembro muito que, alguns meses atrás, escrevi um artigo carregado de esperanças quanto ao julgamento do mensalão. De fato, esse não era sentimento só meu, mas de tantos outros brasileiros que vislumbravam uma fagulha de esperanças em um montante de descasos.


Ministro Celso de Melo, é até compreensível o seu argumento de não votar de acordo com o clamor popular, se analisarmos de um ponto de vista extremamente jurídico. Não é justo questionar sua idoneidade, percebendo que se trata de um homem com larga experiência no magistério, Mesmo assim não consigo fechar os olhos para as pessoas que depositaram tanta fé e que tiveram mais vontade de conhecer ainda melhor o  STF. Há tempos que não se via tanta crença em uma instituição pública. E agora, mal sei o que realmente sobrou. Difícil saber como assimilar um golpe tão duro. Por mais que se avalie todos os argumentos possíveis, difícil de avaliar esse novo julgamento de outra forma senão como um impacto tremendo em uma confiança que se fortalecia a cada dia .


É claro que as decisões de um juiz são baseada em várias analises e estudos de um caso. Não se chega a uma decisão em vão. Só que o povo , há muito tempo, já se acostumou a ver nos noticiários a corrupção que se alastra e corroe qualquer resquício de dignidade da política. No nosso país, já se faz uma ligação inconsciente entre os políticos e a impunidade. Nosso sistema eleitoral é, em geral, baseado na arcaica troca de favores. O povo é  vítima e o culpado ao mesmo tempo. E o que mais incomoda, em toda essa história de paginas negras, é quando se tem a chance de inserir um novo capítulo, cheio de justiça, as coisas simplesmente retrocedem. Parece ser tão complicado aplicar uma pena exemplar . Não é possível que seja pouco coordenar um esquema que atacou o dinheiro público de uma forma tão orenda. Julgar, mais uma vez, quem já foi considerado culpado em um Supremo Tribunal Federal parece outro daqueles colapsos que costumam acometer a justiça brasileira.



Queria muito estar dizendo o contrário, mas esta difícil enxergar um caminho que nos dê a fé de que a impunidade não se sairá vitoriosa. Quando pensamos que tudo ocorrerá, surge uma situação que revela o oposto. Falo isso como um brasileiro que quer mudanças, mas a enxergam de uma forma  tão distante.  O voto do Celso de Melo, favorável ao que os corruptos pleitearam, tornou-se outro combustível para as desilusões com a política; com o sistema. É bem verdade que esse julgamento pode ter o mesmo resultado, porém, ele já representou um baque nessa onda de otimismo. Em suma, se não é o mais, foi um dos 6  a 5 mais doloridos da nossa história. Um gol da corrupção. 

sábado, 7 de setembro de 2013

Quando a casa é a rua

Você já se perguntou como seria sua vida se tivesse que pedir esmolas pela rua, dependendo de receber algumas moedas de um alguém que se compadeça com  a sua situação?  E, quando a noite chegasse, ao invés de uma cama quente e com bons cobertores, sua única opção fosse improvisar alguns papelões e recorrer àquele cobertor velho e desgastado pelo tempo? Ainda resta rezar para que não apareça uma pessoa que esteja disposta te agredir ou atear fogo contra o seu próprio corpo. Percebe-se que não é fácil se colocar no lugar daqueles que são ignorados e a sociedade nada mais os vê como personagens de um lado pobre, carente de tantos sentimentos essenciais para uma vida saudável e alegre. Os moradores de rua representam a fatia que os políticos não gostam de mostrar em seus comerciais de TV, com gente sorridente em todos os cantos e felizes com o avanço do país. Aquele pedinte, que se encontra todos os dias lutando por sua sobrevivência, não quer o consumismo desenfreado. Basta um simples e bom prato de comida, que a alegria, pelo menos por alguns instantes, está feita.
    
Eles ficam nas frentes de grandes lojas, pelos calçadões, igrejas ou batem nas portas das casas. Reforçam sua suplica com o tão conhecido “Uma esmolinha, pelo amor de Deus”. Tem quem passe e finja que não vê, talvez, por acharem que não possuem  obrigação de ajudar ou simplesmente por não ser um problema que os pertença.  Nem se imagina que quem está lá pedindo tem a sua história, Sabe, ninguém vai parar na rua por que simplesmente quis assim. Sempre há um motivo; uma razão forte o suficiente para deixá-lo numa condição tão indesejável por qualquer outro ser humano. A falta de um olhar mais humanizado e o forte preconceito que ronda a sociedade, não permite que o casal ou homem de terno enxergue essa realidade para além do que ela demonstra ser. Quando a fome e a necessidade se fazem presentes, tudo é incerteza e, para que o amanhã aconteça, é preciso travar uma verdadeira batalha.
            
O esquecimento é um inimigo implacável. É bem difícil imaginar como lutar contra ele, se for observada a perspectiva de vida dos que não tem uma casa, onde seja possível sentar para assistir sua novela ou jornal favorito. Enquanto tantas famílias aproveitam os domingos para preparar aquele almoço que parece ter um sabor melhor que todos os outros dias, o morador de rua tenta enganar a própria fome com alguma comida que encontrou por aí ou até mesmo nas latas de lixo. Fica a pergunta do por que de tanto descaso e abandono. É tão cruel ver idosos jogados pelas calçadas tendo apenas a companhia de um saco que ele usa para guardar o que conseguir. E a criança, que poderia estar brincando, mas está nos sinais de transito e acompanhando suas mães famintas. Não, elas não conhecem esse fascinante mundo dos computadores, videoames  de última geração e tablet’s. Rezam elas para encontrar um simples brinquedinho por aí.  A bola pode ser feita de pano mesmo. Infelizmente, no momento que a vida não tem mais encanto, o universo das drogas aparece pronto para encerrar a inocência e levá-las para um terrível ciclo de vícios.

          
Os mesmos governantes que se esforçam para promover seus nomes e ações, de alguma forma, também carregam a culpa por quem se encontra em uma rua qualquer   sem  ter tido uma chance de viver uma vida diferente. Sem educação e acesso aos serviços de saúde fica complicado imaginar uma longevidade e sobrevivência nesse mundo complexo. Ainda há quem acredite ou queira passar a imagem de que vivemos nesse cenário que só cresce e melhora, deixando para trás todos os seus problemas. Não, a vida real está longe de ser isso, Cada um que se encontra, nesse momento, mendigando, é o retrato fiel de um Brasil que tentam esconder. Sai melhor na foto o modelo de família que toma proveito dos benefícios da evolução econômica. E o morador de rua, segue, em sua rotina sofrida, apenas querendo viver.
                  
   A senhora que monta sua cama de papelão, todas as noites; O senhor que corre para tentar uma vaguinha no albergue; a criança sem brinquedos e os idosos que enfrentam o frio nada mais são que vítimas de um sistema social que carrega a marca da desigualdade, além do requinte das infelicidades do destino. Dormir em um colchão macio, tomar café da manhã, trabalhar/estudar, depois tomar um banho e se deitar em sofá confortável. Para você, isso é normal, mas uma pessoa que vive pelas ruas vê isso muito distante do seu cotidiano. Então, antes de reclamar, pense que muito pior seria estar tendo o céu como único teto e a rua para passar dias e noites. Em pensar, que  uma mudança tão esperada poderia melhorar as coisas. Mas para essa forma de vida tão dura e difícil toda espera pode se tornar tardia.