Você já se perguntou
como seria sua vida se tivesse que pedir esmolas pela rua, dependendo de
receber algumas moedas de um alguém que se compadeça com a sua situação? E, quando a noite chegasse, ao invés de uma
cama quente e com bons cobertores, sua única opção fosse improvisar alguns
papelões e recorrer àquele cobertor velho e desgastado pelo tempo? Ainda resta
rezar para que não apareça uma pessoa que esteja disposta te agredir ou atear
fogo contra o seu próprio corpo. Percebe-se que não é fácil se colocar no lugar
daqueles que são ignorados e a sociedade nada mais os vê como personagens de um
lado pobre, carente de tantos sentimentos essenciais para uma vida saudável e
alegre. Os moradores de rua representam a fatia que os políticos não gostam de
mostrar em seus comerciais de TV, com gente sorridente em todos os cantos e
felizes com o avanço do país. Aquele pedinte, que se encontra todos os dias
lutando por sua sobrevivência, não quer o consumismo desenfreado. Basta um
simples e bom prato de comida, que a alegria, pelo menos por alguns instantes,
está feita.
Eles ficam nas frentes de grandes lojas,
pelos calçadões, igrejas ou batem nas portas das casas. Reforçam sua suplica
com o tão conhecido “Uma esmolinha, pelo amor de Deus”. Tem quem passe e finja
que não vê, talvez, por acharem que não possuem
obrigação de ajudar ou simplesmente por não ser um problema que os
pertença. Nem se imagina que quem está
lá pedindo tem a sua história, Sabe, ninguém vai parar na rua por que
simplesmente quis assim. Sempre há um motivo; uma razão forte o suficiente para
deixá-lo numa condição tão indesejável por qualquer outro ser humano. A falta
de um olhar mais humanizado e o forte preconceito que ronda a sociedade, não permite
que o casal ou homem de terno enxergue essa realidade para além do que ela
demonstra ser. Quando a fome e a necessidade se fazem presentes, tudo é
incerteza e, para que o amanhã aconteça, é preciso travar uma verdadeira
batalha.
O esquecimento é um inimigo
implacável. É bem difícil imaginar como lutar contra ele, se for observada a
perspectiva de vida dos que não tem uma casa, onde seja possível sentar para
assistir sua novela ou jornal favorito. Enquanto tantas famílias aproveitam os
domingos para preparar aquele almoço que parece ter um sabor melhor que todos
os outros dias, o morador de rua tenta enganar a própria fome com alguma comida
que encontrou por aí ou até mesmo nas latas de lixo. Fica a pergunta do por que
de tanto descaso e abandono. É tão cruel ver idosos jogados pelas calçadas
tendo apenas a companhia de um saco que ele usa para guardar o que conseguir. E
a criança, que poderia estar brincando, mas está nos sinais de transito e
acompanhando suas mães famintas. Não, elas não conhecem esse fascinante mundo
dos computadores, videoames de última
geração e tablet’s. Rezam elas para encontrar um simples brinquedinho por
aí. A bola pode ser feita de pano mesmo.
Infelizmente, no momento que a vida não tem mais encanto, o universo das drogas
aparece pronto para encerrar a inocência e levá-las para um terrível ciclo de
vícios.
Os mesmos governantes que se
esforçam para promover seus nomes e ações, de alguma forma, também carregam a
culpa por quem se encontra em uma rua qualquer
sem ter tido uma chance de viver
uma vida diferente. Sem educação e acesso aos serviços de saúde fica complicado
imaginar uma longevidade e sobrevivência nesse mundo complexo. Ainda há quem
acredite ou queira passar a imagem de que vivemos nesse cenário que só cresce e
melhora, deixando para trás todos os seus problemas. Não, a vida real está
longe de ser isso, Cada um que se encontra, nesse momento, mendigando, é o
retrato fiel de um Brasil que tentam esconder. Sai melhor na foto o modelo de
família que toma proveito dos benefícios da evolução econômica. E o morador de
rua, segue, em sua rotina sofrida, apenas querendo viver.
A senhora que monta sua
cama de papelão, todas as noites; O senhor que corre para tentar uma vaguinha
no albergue; a criança sem brinquedos e os idosos que enfrentam o frio nada
mais são que vítimas de um sistema social que carrega a marca da desigualdade,
além do requinte das infelicidades do destino. Dormir em um colchão macio,
tomar café da manhã, trabalhar/estudar, depois tomar um banho e se deitar em
sofá confortável. Para você, isso é normal, mas uma pessoa que vive pelas ruas
vê isso muito distante do seu cotidiano. Então, antes de reclamar, pense que
muito pior seria estar tendo o céu como único teto e a rua para passar dias e
noites. Em pensar, que uma mudança tão
esperada poderia melhorar as coisas. Mas para essa forma de vida tão dura e
difícil toda espera pode se tornar tardia.
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