sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Um outro julgamento

Quem sou eu para discutir com total discernimento a função de cada lei ou para ficar condenando  a atitude um ministro que, com um único voto, resolve realizar um outro julgamento para o caso de corrupção mais grave da nossa política. Continuo me perguntando até lembrar que sou um cidadão sujeito ao pagamento de impostos e ao " poder" do voto em cada sagrada eleição. O cidadão mais simples, pode não ser nenhum advogado, promotor ou juiz., mas ele ainda tem a capacidade de se indignar; de continuar querendo entender por que por aqui sempre se tem essa mania de beneficiar o infrator. Lembro muito que, alguns meses atrás, escrevi um artigo carregado de esperanças quanto ao julgamento do mensalão. De fato, esse não era sentimento só meu, mas de tantos outros brasileiros que vislumbravam uma fagulha de esperanças em um montante de descasos.


Ministro Celso de Melo, é até compreensível o seu argumento de não votar de acordo com o clamor popular, se analisarmos de um ponto de vista extremamente jurídico. Não é justo questionar sua idoneidade, percebendo que se trata de um homem com larga experiência no magistério, Mesmo assim não consigo fechar os olhos para as pessoas que depositaram tanta fé e que tiveram mais vontade de conhecer ainda melhor o  STF. Há tempos que não se via tanta crença em uma instituição pública. E agora, mal sei o que realmente sobrou. Difícil saber como assimilar um golpe tão duro. Por mais que se avalie todos os argumentos possíveis, difícil de avaliar esse novo julgamento de outra forma senão como um impacto tremendo em uma confiança que se fortalecia a cada dia .


É claro que as decisões de um juiz são baseada em várias analises e estudos de um caso. Não se chega a uma decisão em vão. Só que o povo , há muito tempo, já se acostumou a ver nos noticiários a corrupção que se alastra e corroe qualquer resquício de dignidade da política. No nosso país, já se faz uma ligação inconsciente entre os políticos e a impunidade. Nosso sistema eleitoral é, em geral, baseado na arcaica troca de favores. O povo é  vítima e o culpado ao mesmo tempo. E o que mais incomoda, em toda essa história de paginas negras, é quando se tem a chance de inserir um novo capítulo, cheio de justiça, as coisas simplesmente retrocedem. Parece ser tão complicado aplicar uma pena exemplar . Não é possível que seja pouco coordenar um esquema que atacou o dinheiro público de uma forma tão orenda. Julgar, mais uma vez, quem já foi considerado culpado em um Supremo Tribunal Federal parece outro daqueles colapsos que costumam acometer a justiça brasileira.



Queria muito estar dizendo o contrário, mas esta difícil enxergar um caminho que nos dê a fé de que a impunidade não se sairá vitoriosa. Quando pensamos que tudo ocorrerá, surge uma situação que revela o oposto. Falo isso como um brasileiro que quer mudanças, mas a enxergam de uma forma  tão distante.  O voto do Celso de Melo, favorável ao que os corruptos pleitearam, tornou-se outro combustível para as desilusões com a política; com o sistema. É bem verdade que esse julgamento pode ter o mesmo resultado, porém, ele já representou um baque nessa onda de otimismo. Em suma, se não é o mais, foi um dos 6  a 5 mais doloridos da nossa história. Um gol da corrupção. 

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