domingo, 5 de maio de 2013

Geração on-line

Há pouco mais de 7 anos atrás, quando passei a fazer um uso regular da internet, disse a mim mesmo que não usaria qualquer rede social. Achava tudo fútil eque seria uma bobagem embarcar naquela superficialidade. O que esqueci de levar em conta é que, às vezes, entre o discurso e a prática existe uma certa distância. Em pouco tempo me deparei acessando o meu orkut.,escolhendo uma foto para ser usada no perfil e no aguardo dos primeiros recados e amizades que eu viria a receber. Foi um verdadeiro encantamento ser apresentado ao mundo virtual que  estava me oferecendo a oportunidade de me relacionar com outras pessoas em um plano virtual que, mesmo sendo abstrato, parecia bem real. Entrar para comunidades relacionadas aos assuntos que eu gosto e "add" pessoas que nas quais nunca imaginei conhecer. Sou mesmo dessa geração que se acostumou com os depoimentos de amizades enviados para  sua pagina "orkutiana", as twittadas e as curtidas do face.  As redes sociais se apresentaram para nós com uma proposta de entretenimento e outros conceitos de amizades.



Quantos pesquisadores já se debruçaram em estudos que busquem um entendimento do que fazem com que pessoas fiquem em frente ao computador compartilhando notícias , frases , pensamentos ou esperando uma pessoa que você goste ficar "on line"?  A situação ganhou proporção mais sérias do que, talvez, se pensassem outrora. E esse tal de "  Fcacebook" veio para consolidar uma realidade que englobou todo a web.  No face , olhando com atenção ( ou nem tanta assim) podemos perceber facilmente uma divisão de grupos como, por exemplo, os populares, baladeiros, estudiosos, caseiros, preguiçosos, esportistas, críticos, revolucionários e conformados. Há uma diversidade de tipos de humanos. A "time line" diz  muito de muito mais sobre alguém do que se pode imaginar. Seus gostos e desgostos e sua forma de ver o mundo estão expostos em uma vitrine ambulante.Nos perguntamos até que ponto estamos envolvidos nessa virtualidade. O mundo " on line" é mesmo tão fascinante ao ponto de criarmos uma afinidade repentina por quem acabamos de adicionar à nossa lista de amigos?


Nunca é demais ser prevenido, ainda mais quando estamos em um ambiente em que podemos, facilmente, cruzar ir do caminho do aprendizado e entretenimento para o perigo. Não me refiro aos que usam a web para cometer crimes. Esse é um assunto que conhecemos ( assim espero!). Falo mesmo é da armadilha que você pode criar para si próprio. Associar sua vida a qualquer tipo de rede social é um fator preocupante. Tudo pode começar com a dependência de informar todos os seus passos. Quem nunca abriu seu facebook e já se deparou com frases como por exemplo: " Vou comer", " Vou dormir", estou chegando na casa do meu amigo" . Escrever coisas assim, ma vez ou outra é até aceitável. Totalmente diferente é fazer disso um hábito costumeiro e uma ampla divulgação dos seus hábitos cotidianos. Infelizmente, as pessoas andam esquecendo do valor e da importância de manter a privacidade e a lógica de que nem tudo deve ser dito para todos.


Exprimir seus sentimentos não pecado. Alguns comentários proveitosos e umas curtidas podem até fazer certo bem, mas, com toda a certeza, não substitui o efeito que um aconselhamento ou uma conversa realizada pessoalmente. Antes de  publicar , em seu facebook, uma situação que se passou ou está se passando em sua vida, avalie se não pode ser melhor conversar com seu grande amigo, um irmão ou seus pais.  Uma boa conversa feita no plano real pode ser de grande ajuda. Resolver dilemas do nosso dia-a dia sem recorrer a uma rede social é algo que precisamos entender. Torna-se fundamental a compreensão de um uso saudável que não te faça um dependente virtual por completo.


No mundo sólido, as relações não acabam com um simples "off line" ou um bloqueio. As pessoas que nos desentendemos continuam diante da nossa vista todos os dias. Elas não somem. A realidade, pelo contrário, nos ensina que temos que conviver com temores e o que não nos agrada. Assim é a vida, onde, se não é perfeita, busca nos ensinar como guia- la  


Antes que entendam isso como um apologia contra as redes sociais, trato de argumentar que as linhas acima descrevem muitas verdades que , quem as usa frequentemente, sabe e sente , mas prefere ignorá-las.  Seria hipócrita se dissesse que não uso o Fcebook ou qualquer outro site similar. Como disse no começo desse artigo, eu cheguei a dizer que não usaria, porém fiz tudo diferente. O quero dizer é que nós temos uma existência e de que não estamos resumidos aos comentários e curtidas de uma foto ou um status com uma frase ou pensamento interessante. Antes do on ou off line temos uma vida em que não há necessidade de expor o seu intimo para a contemplação massiva de centenas de pessoas que escolhem algumas ou muitas do seu dia para embarcar no tão fascinante e emblemático plano virtual.






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