Não faz muito tempo que
aquele 7 de junho de 2014 marcou a história do futebol brasileiro de uma forma
negativa e vergonhosa, como nunca imaginávamos ver, ainda mais em uma Copa do
Mundo realizada em casa. Foi um 7 a 1 que se traduz em muito mais que uma
goleada rotineira , que um time gigante
aplica em um pequenino . Talvez, se fossemos de tão pouca importância
no cenário internacional, ninguém ficaria tão chateado. Afinal , a Alemanha tem
tradição e um histórico em Copas do
Mundo que é de causar inveja a muitas outras seleções. Mas não, a seleção
brasileira tem uma marca e histórico de peso. É o time campeão do mundo.
Talvez, evidencias não faltaram para o prenuncio de um fracasso. É fato que não tivemos uma preparação das melhores. Demitimos um treinador quando ele já estava encontrando a melhor forma para seguir o seu trabalho. Veio , então, outro técnico que tinha a grife de campeão do mundo. Sem tanto percebermos, deplorável derrota no Mineirão começava a ser desenhada. O titulo da Copa das confederações apenas foi uma ilusão, Na Copa do Mundo acabamos por ver uma seleção nervosa sem padrão tático e que ficou perdida, ao se deparar que ficaria sem Neymar, seu grande craque.
Aliás, a contusão do garoto, que hoje brilha no Barcelona, pareceu ser um perfeito exemplo do exagero; da valorização do individuo e do estrelismo que os homens consagram aos seus indivíduos. Nem parece que havíamos passado da Colômbia, em um jogo sofrido, baseado em uma batalha de nervos. Zuninga atingiu a coluna de Neymar o tirou da copa e deu inicio a um drama midiático. A emissora de TV, que detemos direitos de transmissão da competição, adotou um tom praticamente fúnebre em suas reportagens e espalhando a inegável sensação de que tudo estava perdido. Teria uma semifinal, mas ninguém falava da Alemanha. Todos estavam muito preocupados em lembrar-se da ausência de Neymar.
Parece ser exagero falar algo assim, mas naquela partida, no Mineirão, já entramos derrotados, não por que a Alemanha era muito superior ao Brasil, mas sim pelo de que decretamos isso do momento em que a copa havia acabado para o principal jogador da equipe. Mas nada justifica um goleada que fez muitas criancinhas e até gente grande , que viram aquele jogo, chorarem e, por que não, sentirem uma vergonha.
O tempo passou e hoje esse episódio já está completando seu primeiro aniversário. De lá para cá, é verdade, muito se discutiu sobre o que mudar no futebol brasileiro. Rever conceitos virou uma expressão da moda, porém, enxergando a atualidade, vemos que pouco ou nada foi feito. Como novo técnico, mais uma vez, apostou-se no famigerado Dunga. Pode ser que os anos provem de que pensar se tratar de um erro, mas com ele não teremos o novo e nem a modernização que gostaríamos de ver. Até o momento é impressão é de que não tiramos lições do fracasso.
E, como algo que vem para contribuir ainda mais para o descredito de uma seleção, ainda vem a tona a verdade de que CBF “vendeu” a seleção para a empresa que responsável por organizar seus amistosos. Não se pode testar jovens jogadores ou então poupar os que são corriqueiramente convocados por que a empresa exige que apenas as estrelas estejam presentes nesses amistosos. Pensando através de uma ótica mercadológica queira ver o melhor em campo, porém, isso não oculta o sentimento de venda ; de rendição a um padrão de que não se pode testar jogadores que podem ver nos amistosos uma chance de evoluir na seleção.
Não se trata de um pessimismo exacerbado. Apenas não há como ocultar a realidade de que o futebol brasileiro apresenta indicativos de que é uma estrutura defeituosa. Nosso campeonato nacional apresenta baixas médias de público e alguns jogos com nível técnicos absolutamente reprováveis. Os antes tão aclamados campeonatos estaduais, atualmente, lidam com jogos de arquibancadas com número ínfimo de torcedores e tem que lidar com o desinteresse de alguns dos clubes, que , ao mesmo tempo, disputam com competições mais importantes.
Como se vê, as coisas não
estão bem, mas nem essa constatação é capaz de acordar as pessoas responsáveis
pelo futebol do Brasil de se realizar trabalhos mais profundos, desde a forma
como lidamos com as categorias de base. Tudo aqui é cercado por esse
imediatismo e na velha máxima de que , se esse país é penta campeão, somos os
melhores e pouco ou nada é preciso aprender. Tanta arrogância , ainda mais
clara quando foram expostos o motivo para a não contratação de um time estrangeiro,
só atrasa as coisas e faz com que a seleção fique para trá. Mas vamos lá. Com
Dunga e tudo, segue o 7 a 1

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