No Brasil, a maioria costuma dar os piores adjetivos para a política. Quando a televisão exibe uma propaganda eleitoral, preferem desligar a televisão. Aqui, há quem vote no candidato a deputado A unicamente pelo fato de ser apoiado pelo prefeito e, sequer, procuram conhecer o seu histórico. Política aqui é piada ou qualquer coisa que faça rir para não chorar. Eu sei, o povo está indo para as ruas para reivindicar seus direitos. E isso louvável. Porém, o modo como a política é entendida já perdura há muito mais tempo. Já ouvi, por exemplo, pessoas dizerem que, ao dar o primeiro voto, "perde o seu valor". Ora,perde por quê? Claro, vemos a corrupção e tantos outros absurdos. Por outro lado, o voto é o momento de fazer uma escolha que, se feita da forma errada, vai trazer graves problemas. Para discutirmos uma reforma política, temos que mudar nosso pensamento sobre ela.
O mal do brasileiro é sempre se ver como a vítima , mas quase nunca como o culpado. Como não ter culpa, se é você que vai para a frente de uma urna para apertar uns botõezinhos e confirmar sua escolha? O eleitor brasileiro, a cada eleição, está apegado a uma forma errônea e infeliz de se fazer política. Quem vai para um comício para ouvir ideias, acaba se decepcionando ao ver um jogo de ofensas a um partido rival. Mais triste ainda é ver os eleitores vibrando como Romanos vendo o leão abatendo sua presa no Coliseu. Mal sabem eles que, enquanto eles aplaudem cada palavra de ataque, o político não diz as suas reais propostas. Ele acaba ganhando uma eleição assim: sem ideias, apenas com uma tonelada de críticas ao adversário
Antes de uma reforma , o povo é quem deve rever seu posicionamento político. Não adianta pedir partidos mais honestos, uma classe política mais descente se elas continuarem fazendo as mesmas coisas de sempre. Protestar contra a corrupção e eleger os corruptos não adianta. Vender seu voto é uma atitude deplorável e muito pior é quem se aproveita disso para comprar os que não possuem discernimento. São esses e outros motivos que vêm criando uma massa desacreditada e avessa à política. E essa falta de interesse que mais interessa aos corruptos, que ficam à vontade para fazer seus descasos.
Reforma política, sim. Mas não sem a compreensão do que realmente é a política. Isso, a partir do momento em que há luta por direitos, já está acontecendo. Entretanto, ainda há um longo caminho a ser percorrido até a obtenção de uma consciência mais ampla e esclarecida quanto o seu real papel da sociedade. Mas, paciência, estamos chegando lá . Os últimos nos fazem crer nisso, felizmente.
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