Yoani Sánchez, Jornalista cubana e blogueira responsável por fortes criticas ao governo cubano. Você, com certeza, ouviu falar bastante nesse nome nos últimos dias. Durante a recente visita que ela fez ao Brasil teve que lidar com protestos e a revolta de pessoas que se diziam favoráveis ao regime cubano ou simplesmente a enxergavam como uma perfeita reprodutora da ideologia norte-americana. Expor críticas ao sistema político vigente em Cuba pareceu gerar um verdadeiro boicote, onde a missão seria não deixar uma jornalista ,que despertou a atenção do mundo , falar sobre a maneira de como ela enxerga o país em que vive.
O Brasil é um país democrático. Quem quiser protestar sobre o que não acha certo, pode assim fazer. Mas em que ponto um manifesto perde seu laço com a democracia para adentrar nas fronteiras do desrespeito? Quem faz oposição a uma ideia deve, para ser justo, deixar que a outra parte se expresse. Não parece ter sido isso que aconteceu com Yoani. Hostilizada e interrompida ,por vezes, na hora de falar sobre sua trajetória e carreira, a blogueira cubana pareceu estar em um lugar ainda mais fora do eixo democrático do que a própria Cuba.
Na Camara dos Deputados, onde debateria a liberdade de expressão, acabou protagonizando um embate entre a situação e a oposição. Uma situação lamentável e totalmente aversa ao tema que seria debatido. Os interesses e brigas políticas mais uma vez se sobressairiam. Nem mesmo um bom debate com um tema tão importante parece ser capaz de superar qualquer falta de civilidade e respeito que, por incrível que pareça, acontece numa das instituições políticas mais importantes do país.
Defender o direito de dar voz a Yoani Sánchez, não é necessariamente levantar a bandeira dos Estados Unidos ou criticar o socialismo cubano, mas sim entender que ela tem o direito de relatar suas experiências como jornalista e a forma de como se dá suas maiores críticas ao governo liderado pelos irmãos Castro. Aliás, Cuba pode ser forte no esporte e na medicina, mas ainda definha quando se fala em democracia e faz das eleições um mero acontecimento formal. Yoane Sanchez, no mínimo, ao contrário de alguns que defendem a ilha socialista, crítica com base na visão de quem vive lá e sente na pele as dificuldades encontradas.
Protestem e critiquem , mas respeitem o direito que outro possui de fazer ecoar sua voz. Diante de alguns maus exemplos que somente trouxeram uma forma de anti- democrácia, espera - se que em outros países, a Yoani possa, de fato, falar.
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